quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Andrés Segovia


  

Pouquíssimas vezes podemos afirmar em toda a história da música que somente uma
pessoa tenha impulsionado um instrumento até o ponto de resultar no desenvolvimento
decisivo do mesmo.

Segóvia, aliás, enobreceu o violão, um instrumento mal visto no mundo da música
séria e que quase não se cultivava dentro dele - estava mais limitado ao campo da
música popular e do flamengo, e confinado portanto em festas e tavernas -
convertendo-o em respeitável todas as partes, habitual e até imprescindível nos
conservatórios e escolas de música do mundo inteiro. E, não bastando, impulsionou
decisivamente a composição de peças pensadas expressamente para o violão, cuja
literatura era muito escassa: Castelnuovo-Tedesco, Falla, Hindemith, Ibert, Jolivet,
F. Martin, Milhaud, Moreno Torroba, Ponce, Rodrigo, Roussel, Tansman, Turina e
Villa-Lobos são alguns dos grandes compositores que escreveram, graças ao estimulo
de Segóvia, para o violão. Além disso, Segóvia transcreveu para o violão uma grande
quantidade de obras compostas originalmente para alaúde, cravo e inclusive para 
piano (páginas de Chopin, Mendelssohn, Brahms, Grieg, Granados, Albéniz, Acriabin,
Debussy, etc.).



Em pouco tempo, Segóvia desenvolveu uma técnica incomparável; aos 16 anos deu seu
primeiro recital em Granada, com tão grande êxito que pode apresentar-se
sucessivamente em outras cidades espanholas, culminando o ano de 1912 em Madrid, e
levando-o em 1916 a um giro pela América do Sul. Sua apresentação em Paris, em 1924, 
causou verdadeira sensação. Em 1927 gravou em Londres seus primeiros discos - o
primeiro violonista clássico que o fazia. Exatamente 50 anos depois gravaria em Madrid
os últimos. Cultivava o repertório, em boa parta esquecido, de seus predecessores
espanhóis, virtuosos do violão de celebridade efêmera, e acertou em absorver suas
técnicas, até então irreconciliáveis: Dionísio Aguado usava somente as unhas da mão
direita, enquanto que Fernando Sor e Francisco Tárrega a ponta dos dedos. Segóvia
compreendeu que, para obter toda a gama de sonoridades que o violão escondia, não
podia limitar-se a uma ou a outra, senão combina-las. Assim, a riqueza de seu som,
"de ferro e de veludo", como foi descrito, e com todos os graus e tonalidade de cor
entre um e outro, foi algo sem precedentes.

Para a plena realização deste alcance, também compreendeu Segóvia que seria preciso
trabalhar estreitamente com os mais competentes construtores de violão (como Ramirez
e Hauser), estimulando-lhes e aconselhando-lhes até conseguir violões capazes de uma
maior suavidade ao invés de uma voz rotunda. A partir da Segunda Guerra Mundial,
aprovou o uso, adotando ele mesmo, das cordas de nylon. Em seus inumeráveis recitais
ao longo de todos os continentes, Segóvia tocava não somente em salas reduzidas, mas
também em grandes auditórios, nos quais conseguia um clima de recolhimento e atenção
que foi batizado como "o silêncio Segóvia".

Em 3 de junho de 1987, Andrés Segóvia morria em Madrid depois de ter conseguido do 
mundo musical um reconhecimento tão alto e tão unanime como muito poucas vezes alguem tenha obtido.  De uma lucidez fora do comum até os seus últimos anos, Segovia continuou até o final ativo como concertista - sua última aparição publica foi em Miami, na primavera de 1978 (78 anos dando concertos) - e como pedagogo: as últimas aulas que ministrou foram em Nova York somente 3 meses antes de morrer. Quando, em uma ocasião, um amigo lhe perguntou porque não diminuia sua intensa atividade em uma idade tão avançada, respondeu: "Terei toda uma eternidade para descansar...".

 O inquestionável é que,graças a Segóvia, o violão é hoje um instrumento popular e
 respeitado em todo o mundo.

Resumo extraído do texto completo no site: Violão Mandrião


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